A partir de um corpo a vários tempos e tendo como base os movimentos do Kuduro, Gio Lourenço (Angola, 1987) constrói um itinerário biográfico onde o corpo se torna uma alegoria da memória.
O Kuduro surge nos anos 90, em Luanda, no contexto de uma guerra civil. Os códigos específicos deste estilo de música/ dança chegavam a Portugal através do corpo e das cassetes dos que transitavam entre estes dois países.
É na adolescência, no final dos anos 90 e já a viver em Portugal, que Gio Lourenço entra em contacto com este universo e se torna kudurista, descobrindo um corpo partido – o seu – onde a memória se reinventa no gesto.
Boca Fala Tropa propõe um território artístico deslocado de uma geografia concreta – o trânsito entre Angola e Portugal – partindo dos passos e dos códigos do Kuduro para cruzar elementos da memória individual, e as suas inevitáveis ficções, com elementos da memória coletiva.
Boca Fala Tropa foi considerado um dos melhores espetáculos de 2022 pela jornalista Cláudia Galhós, no jornal Expresso.
Ficha Artística: Direção artística: Gio Lourenço. Texto: Gio Lourenço, Cátia Terrinca. Dramaturgia: Cátia Terrinca. Apoio à criação: Neusa Trovoada, Sofia Berberan e Ana Rocha (circulação). Performers: Gio Lourenço, Xullaji, Vânia Doutel Vaz (em vídeo). Vídeo: Michelle Eistrup. Desenho de som: Xullaji. Desenho de luz e operação: Manuel Abrantes. Apoio ao movimento: Vânia Doutel Vaz, Fogo de Deus. Acompanhamento em corpo: Sofia Neuparth. Cenografia e figurinos: Neusa Trovoada. Figurinos do vídeo: Magda Buczek. Guarda-roupa: Ulla Jensen. Fotografia: Sofia Berberan. Produção (difusão): Nuno Eusébio.
Apoio à produção e gestão (difusão): c.e.m. – centro em movimento.
Apoios: Bolsa de Criação O Espaço do Tempo e BPI – Fundação La Caixa, Alkantara, c.e.m- centro em movimento, Casa dos Direitos Sociais, Fonden FABRIKKEN for Kunst og Design, Companhia Olga Roriz e Fundação GDA