Depois de ter trabalhado como assistente de Renoir, Jacques Rozier (1926-2023) realizou duas curtas na segunda metade dos anos 50, e Godard escreveu sobre ele maravilhas. Falava na “lucidez da sua improvisação”, de um cinema “jovem e belo, como os corpos de vinte anos de que falava Rimbaud”.
Seguiram-se os maiores elogios de toda a equipa dos Cahiers da altura, e foi também Godard que o apresentou a Georges de Beauregard, que viria a produzir a sua primeira longa, Adeus Philippine.
Mas Rozier vivia e criava com uma “liberdade livre” e as coisas não foram fáceis durante a produção. O filme, uma obra admirável, “o mais Nouvelle Vague dos filmes Nouvelle Vague”, como se escreveu, só veria a luz em 1962, depois da estreia das primeiras longas de Truffaut e Godard.
E aí começava uma das obras mais singulares, mais livres e geniais do cinema francês. Rozier deixou-nos uma mão cheia de longas e várias curtas para o cinema e uma dezena de trabalhos notáveis para televisão.
Paulo Branco produziu-lhe um dos seus melhores filmes de entre os melhores, Maine Océan, com fotografia de Acácio de Almeida, que o jornal Le Monde colocou na lista dos 50 melhores filmes franceses de sempre.
Foi um outsider (como o foram Eustache e Pialat) e os seus filmes nunca tiveram estreia comercial em Portugal, uma lacuna que é agora finalmente reparada.
Esta obra de uma enorme frescura, que celebra a vida e, simultaneamente, a sua fragilidade, o desejo, a relação com a natureza, uma errância despreocupada, quase como arte poética, que ambicionava conciliar a arte moderna e a arte popular, com personagens de várias está agora a ser recuperada e a conquistar um cada vez maior número de espectadores.
É também uma obra que celebra o Verão e esta é a melhor altura para mergulhar nesta experiência poética e libertária. Para irmos com Rozier à la plage.
Serão exibidas as cinco longas-metragens de Jacques Rozier, inéditas comercialmente em Portugal – DEUS PHILIPPINE (1962), AS PRAIAS DE OROUET (1973), OS NÁUFRAGOS DA ILHA TORTUGA (1976), MAINE OCÉAN (1986) e FIFI MARTINGALE (2001) – assim como as suas duas curtas-metragens – PAPARAZZI (1963) e O PARTIDO DAS COISAS: BARDOT / GODARD (1963) – em cópias restauradas.
Programa:
3 julho, 18h
FIFI MARTINGALE (2001), 120’, m/12 Estreia
3 julho, 21h30
OS NAÚFRAGOS DA ILHA TORTUGA (1974), 146’, m/14 Estreia
4 de julho, 18h
PAPARAZZI (1964), 18’, m/12 + O PARTIDO DAS COISAS : BARDOT GODARD (1964), 10’, m/12 Estreia + O DESPREZO (1963) de Jean Luc Godard, 103’, m/12
4 de julho, 21h30
MAINE-OCÉAN (1986), 130’, m/12 Estreia
5 de julho, 16h
ADEUS PHILIPPINE (1962), 111’, m/12 Estreia
5 de julho, 21h30
AS PRAIAS DE OROUET (1973), 162’ m/14 Estreia
6 de julho, 16h
MAINE-OCÉAN (1986), 130’, m/12
6 julho, 21h30
OS NAÚFRAGOS DA ILHA TORTUGA (1974), 146’, m/14
7 de julho, 21h30
AS PRAIAS DE OROUET (1973), 162’ m/14
8 de julho, 21h30
ADEUS PHILIPPINE (1962), 111’, m/12
Saiba mais aqui: https://medeiafilmes.com/ciclos/ciclo-jacques-rozier