Compositor incontornável do século XX português, Joly Braga Santos nasceu em Lisboa em 1924, pelo que em 2024 o Festival de Sintra comemora o seu centenário.
O legado de Braga Santos inclui composições em grande variedade de formações instrumentais, mas é enquanto autor de música orquestral que mais se destaca. Através da orquestra, Braga Santos dá azo à sua veia lírica e ao mesmo tempo modernista, realizando uma síntese única do momento estético e histórico em que viveu. Não podia faltar, é claro, o Staccato Brilhante, obra arrebatadora que faz vibrar o público desde 1988, ano em que a assinou e em que veio também a falecer.
Outro ponto alto deste concerto é a presença do jovem violinista Luka Faulisi, fenómeno que está a arrebatar rapidamente os principais palcos de todo o mundo, e que na sua estreia em Portugal irá interpretar uma das mais famosas páginas românticas de todos os tempos, o Concerto em Mi menor de Felix Mendelssohn-Bartholdy.
Este concerto, que está estruturado em quatro andamentos que se tocam sem interrupções, foi estreado em 1845 pelo virtuoso Fernand David, amigo e infância do compositor, seu colega na Orquestra do Gewandhaus de Leipzig e grande impulsionador da ideia por detrás da composição desta obra. Terá aliás sido fundamental a contribuição de Fernand David para a escrita idiomática e eficaz para o violino, e que em muito contribui para o seu sucesso desde então.
Orquestra Municipal de Sintra D. Fernando. Cesário Costa, maestro. Luka Faulisi, violino
Programa
Joly Braga Santos, Nocturno
Felix Mendelssohn-Bartholdy, Concerto para Violino em Mi menor, op.68
Allegro molto appassionato
Andante
Allegretto non troppo – Molto vivace
Joly Braga Santos, Divertimento I
Prelúdio
Intermezzo
Finale
Joly Braga Santos, Staccato Brilhante, Op.69
Sobre os artistas
Aos 21 anos, Luka Faulisi é um dos violinistas mais promissores de sua geração. Tendo começado a tocar violino aos três anos apenas, Faulisi aperfeiçoou-se com Boris Belkin no Conservatório de Maastricht, na Holanda. Recentemente, tem recebido formação e orientação pessoal por solistas como Pinchas Zukerman, Emmanuel Pahud ou Pavel Berman. Tem realizado estreias com orquestras de toda a Europa e também da Ásia, onde se destacam a Filarmónica de Liverpool, Orchestre National du Capitole de Toulouse, Orchestra da RAI de Turim, Hong Kong Sinfonietta ou Orchestre National de l’Île de France.
O seu primeiro disco, Aria, foi editado pela Sony Classical em 2023. Esta é a sua estreia em Portugal.
Cesário Costa tem vindo a distinguir-se como um dos mais ativos maestros portugueses da sua geração. Depois de concluir, em Paris, o Curso Superior de Piano, estudou Direção de Orquestra, completando a Licenciatura e o Mestrado na Escola Superior de Música de Würzburg (Alemanha). Recentemente, obteve o Doutoramento pela Universidade Nova de Lisboa. Em 1997, foi bolseiro do Festival de Música de Bayreuth e vencedor do III Concurso Internacional Fundação Oriente para Jovens Chefes de Orquestra e, desde então, foi convidado para dirigir inúmeras formações nacionais e estrangeiras.
O seu repertório estende-se do barroco ao contemporâneo, incluindo mais de cento e trinta obras em estreia absoluta. Para além da direção de orquestras, tem exercido funções de docência e de programação musical em várias instituições. Foi Presidente da Metropolitana/Associação Música, Educação e Cultura, instituição que gere a Orquestra Metropolitana de Lisboa (da qual foi também Diretor Artístico), foi Diretor Artístico e Maestro Titular da Orquestra do Algarve, da Orquestra Clássica do Sul, da Orquestra Clássica de Espinho, da Orquestra de Câmara Musicare, da Orquestra Bomtempo, Maestro Titular da OrchestrUtópica e Diretor Artístico do In Spiritum – Festival de Música do Porto.
Paralelamente, assumiu lugares de docente em várias escolas e foi professor na Universidade Católica Portuguesa.
É Investigador Integrado do CESEM (FCSH-UNL), Professor na Academia Nacional Superior de Orquestra, Programador de Música Erudita do Centro Cultural de Belém, Diretor Artístico dos Concertos Promenade do Coliseu do Porto, Diretor Artístico e Maestro Titular da Orquestra Sinfónica Ensemble e Maestro Titular e Diretor Artístico da Orquestra Municipal de Sintra – D. Fernando II.
A Orquestra Municipal de Sintra – D. Fernando II (OMS) é um projeto inovador da Câmara Municipal de Sintra com o objetivo de assegurar no Concelho de Sintra uma programação musical regular de elevado padrão artístico.
Desde a sua estreia, em Outubro de 2020, a OMS tem esgotado sistematicamente o grande auditório do Centro Cultural Olga Cadaval, palco onde está sediada. Para além do grande repertório internacional, a OMS assume também como missão a divulgação e promoção da música portuguesa, tendo já na sua curta existência realizado a estreia moderna de várias obras de autores portugueses dos séculos XVIII e XIX.
Neste trabalho de investigação, procura ainda dar a conhecer repertório inspirado e relacionado com Sintra promovendo a preservação deste património. Entre estas obras destaca a estreia moderna da versão de orquestra da ode sinfónica “A Serra de Sintra”, de Carlos Adolpho Sauvinet e ainda obras de Alfredo Keil, Duarte Alquim, João de Sousa Carvalho, António Leal Moreira ou Jerónimo Francisco de Lima.
Participou no Lisbon and Sintra Film Festival – LEFFEST e gravou recentemente um concerto para a Embaixada de Portugal na China, no âmbito da Presidência Portuguesa da União Europeia tendo também sido convidada, em 2023, para realizar um concerto no âmbito das cerimónias oficiais das Comemorações do Dia de Portugal, em Paris, a convite da Embaixada de Portugal nesta cidade, concerto realizado no Palais d’Iéna. Participou nas últimas edições do Festival de Sintra.
Têm colaborado com a OMS destacados solistas e intérpretes como Kristine Balanas, Vasco Dantas da Rocha, Eduarda Melo, Joana Seara, Kátia Guerreiro, Sérgio Godinho, entre outros. A OMS tem como diretor artístico e maestro titular o maestro Cesário Costa.
Sobre o Festival
A 58.ª edição do Festival de Sintra volta a apresentar um cartaz fiel ao seu cunho de excelência e ecletismo.
Concertos com solistas de renome internacional, de música de câmara ou com orquestra, numa programação que mantém a aposta no talento nacional e emergente.
Os formatos distintivos que se encontram em Sintra continuam: o público que descobriu o gosto pelas caminhadas-concerto, pelo concerto ao nascer do sol ou pelo duelo de pianistas, é agora convidado a não perder também um concerto nas trevas e outro à meia-noite de lua cheia.
Lado a lado voltam a cruzar-se a ópera, o cinema, a oferta para famílias, as conversas e a música nos mais diversos estilos, tocada por músicos de todo o mundo, em dezenas de palcos e ao longo de dez dias, fazendo desta tão aguardada 58ª edição do Festival de Sintra uma festa para todos os apreciadores da música e das artes.
Programa completo aqui.