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Maria Leopoldina Guia

O município de Alcochete está a festejar o 128.º aniversário da Restauração do Concelho, conquistada a 15 de janeiro de 1898, com um conjunto de iniciativas que celebram a identidade e a história local. A inauguração da exposição “Maria Leopoldina Guia”, na Galeria dos Paços do Concelho, está também integrada nestas comemorações.

O Município de Alcochete vai homenagear a fadista Maria Leopoldina Guia com a inauguração da exposição “Maria Leopoldina Guia: Alcochete em Tons de Fado”, no próximo sábado, 14 de fevereiro, às 16h30, na Galeria Municipal do edifício dos Paços do Concelho.

A mostra pretende recordar e valorizar o percurso artístico e humano de uma das figuras mais representativas da cultura alcochetana e do fado ligado às tradições ribatejanas.

Maria Leopoldina Guia, carinhosamente apelidada de “Pilina”, nasceu em Alcochete, a 3 de fevereiro de 1946. Filha do guitarrista João dos Santos Guia, encontrou no ambiente familiar a influência decisiva para a sua ligação ao fado, dedicando ao pai, em 1996, o seu segundo álbum.

Começou a cantar com cerca de dez anos, participando em peças de teatro amador nas coletividades de Rio Frio. Até aos 19 anos interpretou sobretudo fado-canção, tendo como principais referências Simone de Oliveira e Maria de Lurdes Resende. Posteriormente dedicou-se ao fado tradicional, encontrando em D. Maria Teresa de Noronha uma das suas maiores inspirações.

Aos 20 anos gravou o primeiro trabalho discográfico, “Eu escolhi a liberdade”, editado pela Alvorada, composto por quatro temas — dois acompanhados à guitarra e à viola por Raul Nery e dois com orquestra dirigida por José Mesquita.

Em 1995 voltou a gravar, integrando o disco coletivo “Alcochete – Nostalgia do Fado”, no qual interpretou os fados Sou feliz e Triste sorte. O trabalho foi apresentado em várias cidades portuguesas e também em Espanha, onde, em maio de 1996, participou em dois concertos em Madrid, na Casa de Espetáculos Galileu Galileu, organizados pelo escritor e estudioso do fado Jesus Termuy.

Ainda em 1996 lançou o segundo trabalho em nome próprio, “Versos de Orgulho”, acompanhado por músicos de referência como Fontes Rocha, José Luís Nobre Costa, Jaime Santos Jr. e Joel Pina, interpretando catorze fados, entre os quais Novo Fado de Alcochete, Partir é morrer um pouco, Prece de um toureiro e o tema homónimo do álbum.

Ao longo da carreira participou em diversos projetos musicais, destacando-se a colaboração com a Banda da Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898, com a qual gravou, em 2000, o CD “Olé”, interpretando Viva el Pasodoble, Fado do Barrete Verde e Novo Fado de Alcochete. Em 2003, acompanhada pela sua voz, a Banda venceu o Certamen Internacional de Bandas de Música de Valencia.

Em 1995 associou-se também ao projeto “Flamenfado”, iniciado pelo guitarrista Sidónio Pereira, que promoveu a fusão entre fado e flamenco e realizou apresentações em várias cidades portuguesas e espanholas, como Madrid, Badajoz, Mérida, Lagos, Montijo e Moita.

Profundamente ligada às tradições da lezíria ribatejana, Maria Leopoldina Guia destacou-se por interpretar temas que refletiam a realidade e a identidade cultural da região, incluindo composições associadas ao universo tauromáquico, tendo gravado, com Filipa Costa Ramos, o trabalho “Viva Pedrito”, onde interpretou os fados Viva Pedrito e Olé Matador.

Ao longo da vida foi amplamente distinguida e homenageada. A Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898 atribuiu o seu nome a uma das suas salas, o Aposento do Barrete Verde prestou-lhe tributo em 1993 e, aquando do lançamento do trabalho Versos de Orgulho, recebeu a Medalha de Mérito Cultural do Município de Alcochete. Em 1999 foi homenageada numa corrida de toiros na Praça de Toiros de Alcochete e, no ano seguinte, na Corrida da Mulher integrada nas Festas de Nossa Senhora da Boa Viagem, na Moita.

Maria Leopoldina Guia faleceu a 19 de abril de 2006, deixando uma profunda marca na comunidade alcochetana. Nos anos seguintes, o Fórum Cultural de Alcochete acolheu várias galas de homenagem que reuniram fadistas, músicos, familiares e amigos para celebrar a sua vida e o seu legado artístico.


Actualizado a 12/02/2026
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