A exposição sobre a obra de Moita Macedo (1930–1983), apresentada no Palácio Anjos, em Algés, promovida pelo Município de Oeiras, propõe-se como uma ligação estreita e orgânica, entre as duas faces de um artista em que a poética, na intensidade cromática da pintura e, na subtileza do desenho, se encontra com a sua poesia escrita.
Tendo em conta este entrosamento na sua poética, os diversos percursos da exposição seguem a métrica do espaço e não obedecem a uma cronologia da evolução do trabalho do artista, opção que sublinha o gesto e a palavra presente nos poemas instalados nas paredes, em confronto com a plasticidade da sua obra, desenhada e pintada com o mesmo fulgor e intensidade expressiva.
Entre as diversas salas que percorrem a obra do autor, uma será dedicada à sua prática, muito singular, do “memografismo” entre o desenho e a pintura que, nas palavras escritas pelo próprio se definia da seguinte forma: “Por vezes, são talvez simples recordações de um caminho antes percorrido (ainda que por outros), o tal teima em existir no nosso subconsciente… É a esta extemporânea libertação de memória, à sua presença-marca sobre uma base de sustentação, que eu chamo – na falta de lhe saber dar melhor nome – memografismo”.

A exposição integra também estudos, esculturas e uma seleção de notas e poemas de memorabília diversa e, inédita, proveniente do seu arquivo pessoal. A exposição conta com a colaboração de diversas coleções particulares, públicas e privadas que gentilmente cederam por empréstimo, obras do artista para esta exposição.
Patente de 26 de junho até 28 de setembro.