Entre 4 e 20 de setembro, o teatromosca organiza a última edição do Muscarium enquanto festival de artes performativas no formato em que se realizou nos últimos 12 anos.
O Muscarium#12 faz uma forte aposta em residências artísticas, destacando-se a parceria com o Colectivo Glovo, o laboratório de criação artística inclusivo, promovido com o Festival Clarão, e um conjunto de iniciativas desenvolvidas com o koletivo Unidigrazz, para além do acolhimento de laboratórios criativos do Quorum Ballet, de Diogo Andrade ou do Teatro À Faca.
A programação inclui ainda concertos, exposições, cinema e espetáculos em vários espaços do concelho de Sintra, culminando, a 20 de setembro, numa grande celebração comunitária no Largo Rainha D. Amélia, em frente ao Palácio Nacional de Sintra, com espetáculos surpreendentes do LAMA Teatro, do artista catalão Joan Català, e da companhia galega Colectivo Glovo, para além de um dj set e uma “mega-cachupa” comunitária… tudo com entrada livre.
Esta edição encerra um ciclo marcado pela ocupação artística de lugares improváveis e pela criação de experiências culturais únicas, memoráveis, em Sintra, em carruagens de comboios, em jardins e praças públicas, em auditórios, quintas e quintais e até mesmo telhados de centros culturais. Em 2026, enterra-se o festival MUSCARIUM, apenas para o fazer (re)nascer das cinzas, em 2027 – num formato que será renovado a cada ano -, dedicado exclusivamente à Dramaturgia Contemporânea para Públicos Jovens.
Programa
10 setembro | 21:00
GOSTO, LOGO EXISTO [teatro], pela Terceira Pessoa
AMAS – Auditório Municipal António Silva
Este espetáculo da Terceira Pessoa, de Castelo Branco, parte do livro homónimo de Isabel Meira, para explorar a relação dos jovens com as redes sociais, focando-se na informação e desinformação (fake news).
Reflete sobre a transformação das relações sociais e da perceção da realidade devido aos contextos digitais. Cruzando as artes performativas com as artes visuais e digitais, este projeto abre debate sobre o impacto das redes sociais e de como estas plataformas influenciam a perceção da realidade, a comunicação e as relações humanas.
O projeto criativo contou com oficinas de pesquisa e experimentação artística com alunos do 3º ciclo da Escola Afonso de Paiva. As experiências vividas e partilhadas nestas sessões – que decorreram entre outubro de 2024 e o início de 2025 – foram o ponto de partida para a criação do espetáculo.
Depois de ter estado em residência artística em Sintra, em parceria com o teatromosca, no início de 2025, o espetáculo será agora apresentado no AMAS – Auditório Municipal António Silva, propondo um espaço de reflexão urgente sobre os desafios das novas formas de comunicação contemporânea.
M/12
11 setembro | 9:30
ENCONTRO ASSITEJ PORTUGAL
Escola Secundária de Santa Maria, Portela de Sintra
No próximo dia 11 de setembro, entre as 9h30 e as 12h30, o teatromosca, no âmbito da programação do festival MUSCARIUM#12, promoverá um encontro dedicado à divulgação da missão e dos valores da ASSITEJ – Associação Internacional de Artes Cénicas para Crianças e Jovens. Fundada em 1965, a ASSITEJ é a maior plataforma mundial dedicada às artes performativas para os públicos jovens, reunindo membros de mais de uma centena de países com o objetivo de promover o direito de todas as crianças e jovens ao acesso às práticas artísticas e à Cultura, incentivando a criação artística, a cooperação internacional e a partilha de conhecimentos.
Este encontro procurará reunir pessoas e organizações que estão, de algum modo, ligadas às artes performativas para/com públicos jovens interessadas em refletir sobre a constituição de um Centro Nacional ASSITEJ em Portugal. Estará presente Bebê de Soares, membro da Comissão Executiva da ASSITEJ Internacional, investigadora e gestora cultural brasileira com um percurso amplamente reconhecido na área das artes para a infância e juventude e da cooperação cultural internacional, e um jovem integrante do ForesTEEN, um dos projetos mais emblemáticos da ASSITEJ Internacional, que promove a participação ativa de adolescentes na reflexão e construção das políticas e práticas artísticas dirigidas às novas gerações.
A sessão, que será dinamizada por um grupo de jovens alunos do Curso Profissional Intérprete | Ator | Atriz da Escola Secundária de Santa Maria, realizar-se-á no Auditório desta escola, na Portela de Sintra, contará com interpretação em Língua Gestual Portuguesa e será, igualmente, transmitida em live streaming, permitindo também a participação à distância, através da plataforma Zoom.
A participação é gratuita e aberta a todas as pessoas (artistas, mediadores culturais, professores, psicólogos, investigadores, jovens, animadores, programadores, diretores artísticos etc.) e entidades (companhias de teatro, associações culturais, centros culturais, fundações etc.) interessadas, mediante inscrição prévia.
M/6 | Inscrição gratuita
11 setembro | 17:00
CÍRCULO [ensaio aberto]
pelo teatroàfaca
Escola Secundária de Santa Maria, Portela de Sintra
A companhia teatroàfaca estará a construir uma nova performance-instalação de playable theatre, criada por Afonso Molinar, procurando aprofundar e dialogar, estética e concetualmente, com as últimas produções da companhia, “TRASH” e “HIGH FANTASY (I’M IN LOVE!)”.
Partindo de memórias sonoras de uma comunidade em crise, a proposta convida os participantes a criar as regras de um jogo ainda inexistente, onde passado, presente e futuro se cruzam. O projeto explora novas ecologias cénicas participativas, desafiando o público a cooperar, decidir e construir em conjunto o destino da narrativa.
Entre instalação, teatro imersivo e gamificação, “CÍRCULO” questiona as formas de convivência, escuta e responsabilidade coletiva numa era marcada pela fragmentação da atenção e das relações humanas.
M/16 | Entrada livre, mediante apresentação de bilhete
11 setembro | 18:30
FÓRUM COMUNITÁRIO TEIA + JANTAR COMUNITÁRIO
Escola Secundária de Santa Maria, Portela de Sintra
Um ano depois do debate com todos os candidatos às eleições autárquicas em Sintra, organizado pelo Fórum Comunitário TEIA, volta-se a convidar todos os partidos para um novo encontro, para fazer um balanço deste primeiro ano de mandato do atual executivo camarário de Sintra, e para lançar novos desafios para a Cultura no concelho de Sintra. Como sempre, a conversa faz-se à mesa, acompanhada por boa comida caseira.
A noite encerrará com um DJ set MOSKITO.
M/6 | Inscrição gratuita
12 setembro | 11:00
PEDRO ANTUNES – artista selecionado por convocatória [ensaio aberto]
entidades promotoras MUSCARIUM#12 e Clarão
Casa da Cultura Lívio de Morais, Mira Sintra
Durante o laboratório, Pedro Antunes irá desenvolver um trabalho em colaboração com o seu irmão, Lukyan Antunes, aprofundando a relação entre som, corpo e espaço através de processos de improvisação e performance. “Asas de Borboleta” parte de uma base musical, e expande-se na criação de uma narrativa que cruza música e teatro, integrando texto e explorando a relação entre músico e ator num formato híbrido de concerto performativo.
O laboratório será também um espaço de experimentação ao nível do vídeo e das projeções, cruzando estruturas definidas com momentos de abertura e improviso. O processo mantém-se flexível, permitindo que o trabalho evolua de forma orgânica ao longo dos dias.
M/6 | Entrada livre, mediante apresentação de bilhete
12 setembro | 16:00
A MAIOR FLOR DO MUNDO E AS PEQUENAS MEMÓRIAS [teatro]
pelo Leirena Teatro
AMAS – Auditório Municipal António Silva
Esta criação do Leirena Teatro cruza teatro físico e visual pop-up com o universo literário de José Saramago. Num espetáculo para toda a família, uma criança percorre a aldeia da Azinhaga em busca de algo maior do que todos os tamanhos, entre memória, imaginação e descoberta.
Com música ao vivo de Surma, a encenação de Frédéric da Cruz P. transforma o palco num livro pop-up vivo, poético e sensorial. Coproduzido com a Fundação José Saramago, o espetáculo oferece ainda uma folha de sala inclusiva.
M/3 | Bilheteira online
12 setembro | 21:00
BORDALO & PEIXOTO [ensaio aberto]
de Diogo Andrade
no Ponto Kultural, Mem Martins
Diogo Andrade, em colaboração com Pedro Gil, estarão a ensaiar no Ponto Kultural, em Mem-Martins, espaço programado pelo koletivo Unidigrazz, tendo como matéria cénica questões como a amizade, o conflito e a conversa. Enquanto caminham, conduzem e jantam, dois amigos falam sobre pequenas e grandes questões da vida. Divertem-se, zangam-se e fazem as pazes. Depois volta tudo ao mesmo. Diogo Andrade propõe-se a construir um novo espetáculo teatral inspirado em referências literárias e cinematográficas que exploram a relação dialética entre duas pessoas, tendo como base o romance “Amesterdão”, de Ian McEwan, “As Velas Ardem Até ao Fim”, de Sándor Márai, “Bouvard e Pécuchet”, de Gustave Flaubert, “Educating Rita”, de Willy Russel, ou “My Dinner with Andre”, de Louis Malle, e cruzando palavra, pensamento e uma forte dimensão não-verbal na procura de uma linguagem simultaneamente dramática e cómica.
Este laboratório acompanha o nascimento de uma criação centrada na intimidade, no confronto e na complexidade das relações humanas.
M/12 | Entrada livre, mediante apresentação de bilhete
19 setembro | 16:00
O Meu filho é um Urso ou A Fealdade de Abandonar Mongos [teatro]
pelo Teatro Duas Senas e Born2Fail
Auditório Acácio Barreiros – Centro Cultural Olga Cadaval [Sintra]
M/16 | 100 minutos aprox.
“O Meu Filho É Um Urso ou A Fealdade de Abandonar Mongos” fala-nos de um nascimento, que ainda não aconteceu, mas que esperamos que venha a acontecer. Este nascimento é daqueles tipo o de Jesus, parece que vem elucidar umas quantas mentes adormecidas e a cheirar a mofo. Não prometemos que essas mentes despertem do seu sono alucinado profundo. A fealdade de abandonar mongos é a celebração do Crip Phenomenon.
O Teatro Duas Senas e a jovem companhia Born2Fail juntam-se para contar histórias, carregando, pisando e esmagando a realidade destas histórias nas nossas caras, corpos, ouvidos, olhos e quem sabe… corações!
Depois de ter estreado no AMAS – Auditório Municipal António Silva, no Cacém, em junho, o espetáculo apresenta-se agora no MUSCARIUM#12, no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra.
20 de setembro | 16:00 » 18h30
O Largo Rainha D. Amélia, em frente ao Palácio Nacional de Sintra, transforma-se num espaço de celebração, encontro e partilha para o encerramento do MUSCARIUM#12, com entrada livre ao longo da tarde e noite. Num ambiente festivo e comunitário, o encerramento do festival reúne dança, circo, teatro e música, num mesmo espaço, aberto ao público, ocupando uma das mais belas praças do concelho de Sintra e convertendo-a em palco para a criação contemporânea e também de encontro e celebração.
20 setembro | 16:00
PELAT [teatro + dança + circo]
de Joan Catalá [Espanha]
Largo Rainha Dona Amélia – Palácio Nacional de Sintra
Para todos | 45 minutos aprox. | Entrada livre
Este espetáculo cruza circo, dança e teatro num dispositivo de interação com o público, ao ar-livre, onde a força, o silêncio e a tensão constroem uma experiência partilhada e imprevisível. Inspirado no trabalho artesanal e na memória familiar do próprio artista catalão, o espetáculo transforma materiais simples e gestos físicos em ação poética coletiva, onde o público também é chamado a construir, literalmente, a obra. Espetáculo imperdível para todas as idades!
20 setembro |17:00
CARRIPANA [teatro + dança]
pelo LAMA Teatro [Faro]
Largo Rainha Dona Amélia – Palácio Nacional de Sintra
M/3 | 30 minutos aprox.
“Carripana”, da companhia de teatro de Faro, LAMA Teatro, é um delicioso espetáculo itinerante que acontece dentro de uma carrinha transformada em palco, onde o teatro se abre ao espaço público, de forma inesperada e lúdica. Entre a dança, a música e a performance teatral, dois intérpretes percorrem o universo da ligação e do desencontro, numa criação leve, divertida e visualmente inventiva, pensada para todas as idades.
20 setembro | 18:00
TRÏADE [dança]
pelo Colectivo Glovo [Galiza]
Largo Rainha Dona Amélia – Palácio Nacional de Sintra
M/6 | 15 minutos aprox.
Uma criação de Esther Latorre e Hugo Pereira que propõe um espaço ritual de encontro feminino onde a dança, a cumplicidade e a memória ancestral se entrelaçam. Inspirada na tríade lunar e na ideia de ciclo — vida, morte e renascimento — esta peça coreográfica pensada para espaços públicos e/ou não convencionais, convoca uma nova genealogia simbólica feita de escuta, riso e ligação entre corpos.