Os Dois Lados do Cravo é um espetáculo do Grupo Dramático e Recreativo Corações de Vale Figueira.
Sebastião Constantino e José Silveira são dois jovens que, por força dos tempos, são arrastados para a Guerra Colonial em África. Travam conhecimento em Angola, na campanha de 1966-1968.
Uma série de acontecimentos violentos e marcantes farão estes dois amigos, em pleno cenário de guerra, jurar uma irmandade para toda a vida.
Regressados de África, assistem à gorada primavera marcelista, o que os fará seguir caminhos opostos em relação ao estado do país. José Silveira torna-se no líder de uma célula anarquista de oposição ao regime e, por sua vez, Sebastião Constantino tornar-se-á um exemplar agente da PIDE, conhecido pela sua implacabilidade e fidelidade absoluta ao Estado Novo.
Nesta antecâmara da Revolução dos Cravos, diversos acontecimentos, em convivência com traumas de guerra, irão pôr à prova a amizade dos dois rapazes e a irmandade por eles jurada, anos antes.
Chegada a revolução e aurora dos novos tempos, José Silveira celebra nas ruas enquanto que Sebastião, abalado pelo fracasso do regime e desalentado pelo rumo do país, parte para o exílio com os seguidores do velho regime. Primeiro rumo à Madeira e, posteriormente, para o Brasil.
José Silveira, ao longo de 1975, assistirá ao Verão Quente, mas, em contraste, sente a ausência do seu grande amigo.
Passarão anos até se reencontrarem um dia no Café Império, algo que acontece pelo ano de 1985, aquando do regresso de Sebastião a Portugal. Nesse momento revisitam o passado e questionam-se sobre o estado da sua irmandade. A amizade volta ao seu caminho.
Em fevereiro de 1986, vive-se a segunda volta das presidenciais que irão mudar para sempre o rumo de Portugal.
Passando em revista os últimos 20 anos, em que tanto havia acontecido, celebram o facto de estarem novamente juntos e concluem que, mais do que esquerda e direta, Portugal terá sempre um amanhã, desde que haja Fado, Fátima e Futebol e… um bom prato de bacalhau e um bom copo de vinho à mesa.
Ficha técnica
Atores: Gonçalo Martins, João Diogo, Tiago Diogo, Rosário Veiga, Fátima Marques, Joana Mealha, Teresa Garcês, Bruno Antunes, Fernanda Vargas, Constança Almeida e Isabel Santos. Luzes e som: Bruno Antunes
Cenários e figurinos: Grupo Teatro Amador Corações Vale de Figueira. Autor: Gonçalo Martins.
Espetáculo integrado na Plateia – Mostra de teatro do concelho de Loures.