É curioso pensar que um músico como Mário Laginha, habituado a dar concertos a solo com regularidade, tenha esperado dezanove anos para gravar o seu segundo álbum de piano, “Retorno”.
A explicação é simples: ao longo deste tempo, esteve sempre envolvido em projetos muito variados, que o apaixonaram.
“Não posso dizer que haja um vazio, simplesmente, o trabalho de partilha musical foi sempre falando mais alto. O tempo, como sabemos, não fica à espera. Mas eis que, finalmente, ele aqui está. Ao contrário de “Canções e Fugas”, “Retorno” apresenta uma estrutura mais livre. Integra uma série de temas que fui compondo e improvisos criados durante a própria gravação. Fascina-me esta possibilidade de me sentar ao piano sem fazer ideia nenhuma do que irei tocar. Alguns improvisos parecem ter sido parcialmente escritos, outros deixam claro que não. Ambos me divertem e desafiam. Com este disco, — sem dúvida, resultado da parceria destes últimos anos com o Camané — fui deixando cair as barreiras que tinha erguido entre mim e o fado. Há, por isso, uma permeabilidade intencional a novas influências que, de formas mais ou menos óbvias, estão aqui presentes. Depois de dezanove anos, retorno a uma solidão que, apesar de tudo, nunca me foi estranha”, escreve, Mário Laginha.
É precisamente esse disco, juntamente com outras composições suas, que Mário Laginha vai apresentar em Mafra, no dia 22 de maio.