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50 ANOS do 25 DE ABRIL

Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril

A Área Metropolitana de Lisboa lançou o repto aos 18 municípios para a organização de um programa do qual fizesse parte, uma viagem pelos momentos históricos de 25 de Abril de 1974, divididos em 18 temas, cada um deles tratado por um município.

As canções, a fotografia, as histórias operárias, o teatro, a ilustração, a literatura e o movimento associativo são apenas algumas das 18 abordagens que serão tratadas, apresentadas e divulgadas, sob a forma digital, na plataforma Mural 18. As comemorações contemplarão também uma homenagem ao poder local.

A Área Metropolitana de Lisboa promoveu um conjunto de iniciativas para comemorar os 50 anos do 25 de abril, dada a importância que a data simboliza para a fundação da democracia em Portugal.

  • Homenagem aos autarcas dos 18 municípios que compõem a AML, na pessoa dos Presidentes de Câmara eleitos, desde as primeiras eleições livres em 1976, enquanto marco fundamental da instituição de autarquias locais, com total autonomia de gestão dos territórios municipais, com a oferta de um azulejo com a imagem d’A Metropolitana;
  • Produção de uma brochura em homenagem aos Presidentes de Câmara eleitos, com a identificação de cada mandato;
  • Vídeo que ilustra a transformação dos municípios da AML nestes 50 anos;
  • Construção do mural de azulejos A Metropolitana, no espaço do pátio da sede da AML, em homenagem aos 18 municípios;
  • Produção de uma exposição virtual – O Povo é quem mais ordena – 50 anos de cultura em liberdade, composta por iniciativas dos 18 municípios, criadas para a celebração do 25 de abril.

Importância da governação local

O 25 de Abril de 1974 tornou possível a democracia, o desenvolvimento, a descolonização e a liberdade.

No dia 12 de dezembro de 1976, pela primeira vez na história do País, os representantes autárquicos foram escolhidos diretamente pela população, através de sufrágio direto e universal. As condições para o exercício das atribuições e das competências do poder local com autonomia passaram a encontrar-se consagradas pela Constituição da República Portuguesa.

A boa governação local, a transparência e a efetiva participação dos cidadãos são princípios e orientações da democracia, particularmente nos tempos atuais em que vivemos, onde a complexidade dos problemas, o alargamento das áreas de intervenção dos municípios, a necessidade de envolvimento e de participação dos cidadãos requer a adoção de diferentes formas de colaboração e de intervenção por parte de todos os atores envolvidos.

A governação local continua a apresentar diversos desafios extremamente exigentes, mas, representam, também, uma oportunidade para encontrar respostas mais cabais aos anseios sociais, numa perspetiva de contínua melhoria das condições de vida das populações, de desenvolvimento da cidadania, ajustando-se, ainda, a novas realidades, com diferentes pensamentos e atitudes estratégicas.

Trova do mês de Abril

Foram dias foram anos a esperar por um só dia.

Alegrias. Desenganos. Foi o tempo que doía

com seus riscos e seus danos. Foi a noite e foi o dia

na esperança de um só dia.

Foram batalhas perdidas. Foram derrotas vitórias.

Foi a vida (foram vidas). Foi a História (foram histórias)

mil encontros despedidas. Foram vidas (foi a vida)

por um só dia vivida.

Foi o tempo que passava como se nunca passasse.

E uma flauta que cantava como se a noite rasgasse

toda a vida e uma palavra: liberdade que vivia

na esperança de um só dia.

Musa minha vem dizer o que nunca então se disse

esse morrer de viver por um dia em que se visse

um só dia e então morrer. Musa minha que tecias

um só dia dos teus dias.

Vem dizer o puro exemplo dos que nunca se cansaram

musa minha onde contemplo os dias que se passaram

sem nunca passar o tempo. Nesse tempo em que daria

a vida por um só dia.

Já muitas águas correram já muitos rios secaram

batalhas que se perderam batalhas que se ganharam.

Só os dias não morreram em que era tão curta a vida

por um só dia vivida.

E as quatro estações rolaram com seus ritmos e seus ritos.

Ventos do Norte levaram festas jogos brincos ditos.

E as chamas não se apagaram. Que na ideia a lenha ardia

toda a vida por um dia.

Fogos-fátuos cinza fria. Musa minha que cantavas

a canção que se vestia com bandeiras nas palavras.

Armas que o tempo tecia. Minha vida toda a vida

por um só dia vivida.

Manuel Alegre, “Trova do Mês de Abril”, 1984, in Atlântico, Lisboa, Editora Morais, 1981

Celebrar Abril é celebrar o Poder Local democrático, uma das maiores conquistas da Revolução dos Cravos.

Com o início da vida democrática em Portugal, consolidada com eleições livres no ano seguinte e a aprovação da Constituição da República Portuguesa em 1976, foi consagrado o princípio da autonomia local, com o estabelecimento das atribuições e deveres municipais.

No quadro constitucional saído da Revolução realizaram-se as primeiras eleições autárquicas, depois de dezenas de anos de nomeações de presidentes de câmaras municipais e das freguesias. Nestas eleições foram eleitos 304 presidentes de câmara, 5135 deputados municipais e cerca de 26 mil membros das assembleias de freguesia.

Desde então, mulheres e homens eleitos, por sufrágio universal, têm defendido, sob a égide da liberdade, igualdade e fraternidade, os valores da democracia e o superior interesse das populações.

No âmbito das comemorações dos 50 anos do 25 de abril, a Área Metropolitana de Lisboa evoca o Poder Local, bem como homenageia todos os autarcas, que exerceram funções nas últimas cinco décadas e se empenharam em dar um novo rosto ao nosso território e dar voz aos anseios das nossas populações. Uma homenagem que representa a defesa da democracia e o respeito pelo legado daqueles que muito contribuíram para o seu engrandecimento.

Celebrar os 50 anos de abril é também refletir sobre o futuro. A nossa democracia, construída, paulatinamente, ao longo destes anos, é a maior dádiva que deixamos às gerações futuras e compete a todos e a cada um de nós, preservá-la e assegurar que nunca se cerrarão “as portas que Abril abriu”.

Presidente do Conselho Metropolitano de Lisboa

Carla Tavares

O POVO É QUEM MAIS ORDENA | 50 ANOS do 25 DE ABRIL

Breve revisitação da transformação dos 18 municípios da Área Metropolitana de Lisboa, depois de Revolução de Abril.

Evocação do Poder Local

Presidentes da Câmara dos Municípios da Área Metropolitana de Lisboa, desde o 25 de Abril de 1974

Actualizado a 13/11/2025
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